Por Gilles-Laurent
Grimberg, CEO da Actioil Brasil
Quanto a sua frota gasta com diesel por mês? Seja uma operação enxuta que
consome R$ 10 mil ou uma grande transportadora com cifras que superam a casa
dos milhões, o combustível é, invariavelmente, o maior peso na sua planilha de
custos. Por ser uma despesa tão massiva e onipresente, qualquer oscilação no
preço das bombas gera discussões calorosas e preocupação imediata nos
escritórios de logística de todo o país.
No entanto, enquanto muitos frotistas e caminhoneiros focam toda a sua atenção
nas flutuações do mercado externo ou na política de preços, um inimigo
silencioso e muito mais perigoso atua dentro de suas próprias garagens. Coloque
agora na ponta do lápis a água condensada no tanque, o combustível mal
armazenado e a falta de drenagem periódica. Esses detalhes parecem pequenos,
quase insignificantes na rotina corrida do transporte, só que não são.
Esses descuidos invisíveis roubam, em média, 5% da eficiência energética da sua
frota. À primeira vista, cinco por cento pode parecer uma margem tolerável, mas
a tradução dessa porcentagem em dinheiro real mostra uma realidade preocupante
saindo diretamente do seu caixa. Em um único caminhão com gasto mensal estimado
de R$ 10 mil, a perda é de R$ 500 por mês, o que se transforma em R$ 6 mil
jogados fora por ano. Quando escalamos essa mesma conta simples para uma frota
de 10 caminhões, o prejuízo salta para R$ 5 mil mensais, acumulando R$ 60 mil
ao ano. Em uma estrutura com 20 caminhões, o desperdício atinge R$ 10 mil por
mês, totalizando impressionantes R$ 120 mil anuais. Esse dinheiro não sumiu de
uma vez em um grande sinistro ou quebra catastrófica; ele simplesmente evaporou,
gota por gota, em cada motor que trabalhou sobrecarregado, em cada filtro
saturado precocemente e em cada bico injetor que sofreu com a abrasão da água e
de impurezas. Diante desses números, fica evidente que gestão de combustível
não é custo, mas sim o investimento de maior e mais rápido retorno que você
pode e deve fazer na sua operação hoje.
Muitas vezes me deparo com discussões acaloradas e polêmicas sobre o
combustível que move a nossa economia, mas é preciso falar com clareza e base
técnica que o Brasil possui, hoje, o melhor biodiesel do mundo. Essa não é uma
afirmação vazia, pois para que o biodiesel chegue até as distribuidoras e aos
postos, ele passa por um rigoroso controle de qualidade que envolve a análise
compulsória de 24 parâmetros distintos e 26 ensaios físico-químicos. Nossas
usinas operam sob rígidos selos de excelência que garantem que o produto saia
da produção nas melhores condições possíveis. Vale destacar um diferencial
tecnológico fundamental: o biodiesel brasileiro é o único combustível que já
sai de fábrica obrigatoriamente aditivado com antioxidantes, uma medida
específica desenhada justamente para assegurar a sua estabilidade durante o
transporte e o armazenamento.
Se temos um produto de tamanha qualidade industrial, as queixas persistentes
sobre filtros entupidos e formação de borras nos tanques nos mostram que o
desafio não está no combustível, mas no cuidado. A resposta para esse dilema é
simples e direta: falha na gestão de armazenamento. Qualquer combustível, seja
o biodiesel, o diesel puro ou a gasolina, sofrerá severa degradação se não
houver um cuidado rigoroso no seu manuseio. O biodiesel, por suas propriedades
químicas e sua característica higroscópica de maior afinidade com a umidade do
ar, exige que sejamos estritamente profissionais na manutenção do ecossistema
onde ele reside antes de chegar ao motor.
Para proteger o patrimônio de frotas pesadas e evitar prejuízos ocultos, o
transportador deve adotar uma rotina rigorosa de manutenção preventiva, focada
na eliminação semanal da umidade e no uso de sistemas eficientes de filtragem
para impedir a proliferação de bactérias e a formação de borras nos tanques.
Essa gestão cuidadosa do armazenamento é o que garante a integridade do
biodiesel brasileiro, transformando a conservação do combustível em um
investimento direto na eficiência dos motores, no cumprimento dos prazos e na
rentabilidade do negócio.
